terça-feira, 3 de julho de 2012

O SENTIDO ESPIRITUAL DA CRISE


Na nossa vida, existem momentos – e mesmo períodos prolongados – em que de repente tudo parece ter chegado ao fim. Somos acudidos até as profundezas do nosso ser por acontecimentos que nos obrigam a tomar decisões difíceis, ao mesmo tempo que nossos sentimentos se agitam de tal modo que não sabemos o que fazer. O tema deste artigo, que vai até o fundo da alma, aborda o surgimento de crises desse tipo e o modo como podemos lidar positivamente com os problemas que nos acabrunham nessas ocasiões.



Qual é o sentido verdadeiro, espiritual da crise? 


A crise é uma tentativa da natureza de efetuar mudanças através das leis cósmicas do Universo. Se o ego, a parte da consciência que dirige a vontade, obstruir a mudança, a crise ocorrerá para possibilitar uma mudança estrutural.

Nenhum equilíbrio pode ser conseguido sem essa mudança estrutural no Ser. Em última análise, toda crise é um reajuste, quer se manifeste sob a forma de sofrimentos, dificuldade, transtornos, incertezas, ou sob a forma da simples insegurança, derivada do fato de se passar a adotar maneiras novas e desconhecidas de viver, depois de desvencilhar-se de um modo já habitual. Qualquer que seja a forma sob a qual se manifeste, a crise procura romper velhas estruturas construídas sobre conclusões falsas, o que equivale a dizer, sobre a negatividade. A crise sacode hábitos arraigados, possibilitando um novo crescimento. Ela dilacera e rompe, o que é momentaneamente doloroso, mas, sem ela, a transformação é impensável.

Quanto mais doloroso for a crise, mais a parte da consciência que dirige a vontade tentará impedir a mudança. A crise é necessária porque a negatividade humana é uma massa estagnada que precisa ser sacudida para se soltar. A mudança é uma característica essencial da vida; onde há vida, há mudança infindável. Somente os que ainda vivem no medo e na negatividade, que resistem à mudança, eles resistem à vida em si, e assim o sofrimento se fecha sobre eles e os comprime ainda mais. Isso acontece no desenvolvimento global das pessoas e também em aspectos específicos.

Os seres humanos conseguem ser livres e saudáveis em áreas em que não resistem à mudança. Nessas áreas, eles se harmonizam com o movimento universal. Eles constantemente se desenvolvem e sentem a vida como profundamente realizadora. Todavia, esses mesmos indivíduos reagem de maneira inteiramente diferente nas áreas em que têm bloqueios. Eles se ligam temerosamente a condições imutáveis dentro e fora deles mesmos. Onde não resistem, sua vida está relativamente livre de crises; nas áreas em que resistem à mudança, as crises são inevitáveis.

A razão de ser do desenvolvimento humano é libertar os potenciais inerentes, que na verdade são infinitos. Entretanto, onde há fixação de atitudes negativas, é impossível concretizar esses potenciais. Somente a crise pode demolir uma estrutura construída sobre premissas que contradizem as leis da verdade, da felicidade e do amor cósmicos. A crise sacode o estado de paralisia, estado esse que é sempre negativo.
No caminho para a realização emocional e espiritual, você precisa trabalhar intensamente para libertar-se de suas negatividades. Quais são elas ? As concepções errôneas; as emoções destrutivas e as atitudes e padrões de comportamento delas decorrentes; os pretextos e as justificativas. Nenhuma dessas negatividades apresentaria dificuldade em si mesma se não fosse a força autoperpetuadora que compõe cada aspecto negativo numa força sempre crescente no interior da psique humana.

Todos os pensamentos e sentimentos são correntes de energia. A energia é uma força que aumenta às custas de seu próprio impulso, sempre baseada na natureza da consciência que alimenta e dirige a corrente de energia em questão. Segue-se que, se os conceitos e sentimentos subjacentes estão de acordo com a verdade, sendo portanto positivos, a força autoperpetuadora da corrente de energia aumentará ad infinitum as expressões e atitudes implícitas nos pensamentos subjacentes. Se os conceitos e sentimentos subjacentes se fundamentam no erro, sendo portanto negativos, o impulso autoperpetuador da corrente de energia crescerá, mas não ad infinitum.


A FORÇA AUTOPERPETUADORA DAS EMOÇÕES NEGATIVAS

Você sabe que as concepções errôneas criam padrões de comportamento que inevitavelmente parecem provar a exatidão da suposição, e assim o comportamento destrutivo, defensivo, vai entrincheirar-se com mais firmeza na essência da alma. O mesmo princípio se aplica aos sentimentos. Por exemplo, o medo poderia ser superado facilmente se fosse encarado e se o modo errôneo subjacente de entendê-lo e controlá-lo fosse exposto. Muitas vezes, emoções manifestas não são emoções primárias diretas: o medo pode disfarçar a raiva; a depressão pode mascarar o medo. O problema é que o medo cria mais medo de enfrentá-lo e de transcendê-lo. Assim, a pessoa tem medo desse medo do medo, e assim por diante. O medo aumenta por acréscimo.

Tomemos a depressão. 
Se as causas subjacentes do sentimento de depressão original não são expostas corajosamente, você se deprime por estar deprimido. Você pode sentir, então, que deveria ser capaz de encarar sua depressão em vez de deprimir por causa dela, mas não está realmente disposto a fazer isso ou não é capaz de fazê-lo, e isso o deprime ainda mais. Estamos diante de um círculo vicioso.

A primeira depressão – ou medo ou outra emoção qualquer – é a primeira crise que não é levada em conta; seu verdadeiro significado não é compreendido. A pessoa a evita, e assim a depressão causada pelo fato de estar deprimido dá início ao círculo vicioso autoperpetuador. A consciência da pessoa afasta-se cada vez mais do sentimento original e por conseqüência de si mesma, dificultando ainda mais descobrir o sentimento original. O impulso negativo crescente finalmente leva a um colapso da autoperpetuação negativa.

Diferentemente da verdade, do amor e da beleza, que são atributos divinos infinitos, a distorção e a negatividade nunca são infinitas. Elas terminam quando a pressão explode. Esta é uma crise dolorosa, e as pessoas em geral resistem-lhe com todas as suas forças. Mas imagine se o universo tivesse sido criado de outro modo e a autoperpetuação negativa continuasse ad infinitum. Isto poderia significar inferno eterno.

O princípio da autoperpetuação negativa se manifesta mais nitidamente no caso da frustração de estarem frustradas. O mesmo se aplica à raiva contra si mesmo por se estar com raiva ou por ficar impaciente com a própria impaciência, desejando-se poder reagir de modo diferente e não o conseguindo porque as causas subjacentes não são expostas e encaradas. Assim, as “crises” emocionais, como as da raiva, frustração, impaciência e depressão, não são reconhecidas pelo que são. Isto torna a autoperpetuação negativa mais e mais forte até que o abscesso explode. Temos então uma crise incontestável.


A CRISE PODE PÔR UM FIM À AUTOPERPETUAÇÃO NEGATIVA


Se a consciência assim o decidir, a crise pode significar o término da autoperpetuação negativa que se avoluma continuamente. Quando a explosão acontece, as opções de reconhecer o sentido ou de continuar fugindo tornam-se mais claramente definidas. Mesmo que a explosão não leve ao reconhecimento e à mudança interior não consegue mais se esconder de sua mensagem. O indivíduo, consequentemente, deve ver que todas as explosões, colapsos e crises significam a derrubada de velhas estruturas para possibilitar a reconstrução de uma estrutura nova e melhor.

A "noite escura” dos místicos é esse período do colapso de antigas estruturas. A maioria dos seres humanos ainda não compreende o significa da crise. As pessoas olham sempre na direção errada. Se nada desmoronasse, a negatividade continuaria. Entretanto, depois de um certo tempo da consciência, é possível que a pessoa não deixe que a negatividade se instale em profundidade. Desse modo, ela fica impedida de começar o ciclo de autoperpetuação. Ela é confrontada desde o início.

A crise pode ser evitada contemplando a verdade interior quando os primeiros sinais de distúrbio e de negatividade se manifestam na superfície. Porém, requer-se muita honestidade para enfrentar as convicções pessoais firmemente acalentadas. Esse confronto pode interromper a autoperpetuação negativa, a força motriz que compõe a matéria psíquica errônea e destrutiva até que encontre um ponto de ruptura. Ela evita os muitos círculos viciosos presentes na psique humana e nos relacionamentos que são dolorosos e problemáticos.

O CRESCIMENTO É POSSÍVEL SEM “NOITES ESCURAS”

Se as dificuldades, transtornos e sofrimento na vida do indivíduo, e também na vida da humanidade como um todo, fossem observados sob este ponto de vista, o sentido verdadeiro da crise seria compreendido e muito sofrimento poderia ser evitado. Dizemos-lhe agora: não espere que a crise surja numa erupção como o evento natural, que estabelece o equilíbrio que ocorre tão inexoravelmente como uma tempestade deve acontecer quando certas condições atmosféricas precisam ser alteradas e a claridade na atmosfera tem de ser restabelecida. É precisamente isso que acontece na consciência humana. Na verdade, o crescimento é possível sem “noites escuras” muito dolorosas, se o indivíduo tiver como valor predominante a honestidade com o eu. É preciso cultivar o olhar franco para dentro de si e a atenção profunda com o ser interior, ao mesmo tempo que se torna possível livrar-se das atitudes e das idéias mesquinhas. Nesse caso, a crise de sofrimento e angústia pode ser evitada porque não haverá formação de nenhum abscesso.

O processo da morte em si é uma crise desse tipo. Já analisamos vários significados profundos da morte. Este é mais um. A morte superficial – isto é, a morte do corpo humano – acontece porque a consciência diz: “Não posso mais continuar”, ou “Estou desorientado”. Toda crise contém esse pensamento. A consciência sempre diz a si mesma: “Não posso mais lidar com a situação.” Se a situação for específica, ocorrerá na vida uma situação específica. Se for uma questão da encarnação atual da pessoa como um todo, então ocorrerá a morte física. Neste último caso, a erupção toma a forma da saída do espírito do corpo, até encontrar novas condições de vida que lhe possibilitem lidar com as mesmas distorções interiores novamente. Visto que a erupção, o colapso e a crise sempre têm por objetivo eliminar velhas maneiras de operar e criar novas, o processo de morte e renascimento expressa o mesmo princípio.

Entretanto, as pessoas tendem a não aceitar outras maneiras de operar e de reagir. Esse obstáculo é totalmente desnecessário. Na verdade, é essa oposição que cria a tensão da crise, e não o abandono da velha estrutura em si. Quando uma mudança necessária não é aceita de boa vontade, você automaticamente entra em estado de crise. A intensidade da crise indica a intensidade da oposição, e também a urgência da necessidade de mudança. Quanto maior a necessidade de mudança e quanto maior a resistência a ela, mais dolorosa é a crise. Quanto mais abertura e disponibilidade houver para a mudança, em qualquer nível, e quanto menos for necessária em qualquer momento do caminho evolutivo, menos rígida e sofrida será a crise.

CRISE EXTERIOR E CRISE INTERIOR

O rigor e a dor de uma crise não são em absoluto determinados pelo fato objetivo. Pensamos que a maioria das pessoas pode verificar isso facilmente. A maioria das pessoas passou por mudanças sérias, exteriormente. Você pode ter pedido uma pessoa amada, pode ter-se defrontado com mudanças as mais drásticas e com fatos objetivamente traumáticos – guerras, revolução, perda de fortuna e habitação, doença. Entretanto, interiormente, você pode ter-se agitado e sofrido menos do que em situações que exteriormente não se poderiam comparar com a agitação de seus sentimentos interiores. Podemos assim dizer que uma crise exterior pode deixá-lo interiormente mais tranqüilo do que uma crise interior. Às vezes o fato objetivamente mais traumático fere menos do que o fato objetivamente menos traumático. Na primeira instância, a mudança necessária ocorre num nível externo, e seu ser interior aceita com mais facilidade, ajusta-se ao melhor, e encontra um novo modo de lidar com ela. No segundo caso, a necessidade de mudança interior esbarra numa resistência maior. Sua interpretação subjetiva do fato torna a crise desproporcionalmente dolorosa. Às vezes uma pessoa procura encontrar explicações racionais para uma intensidade emocional peculiar dessas – explicações que podem ser chamadas de racionalizações. Às vezes tanto as mudanças e crises interiores como as exteriores como as exteriores encontram a mesma atitude interior.

Quando o processo da crise é aceito e não é mais obstruído, quando a pessoa se põe a andar junto com ele em vez de lutar contra ele, o alívio chega de modo relativamente rápido. Quando o pus escorre do abscesso e as atitudes são ajustadas, a auto-revelação traz paz; a compreensão proporciona nova energia e vitalidade. O processo de cura está em andamento, mesmo quando o abscesso estoura.

A negação desse processo, a atitude interior prolonga a agonia, em meio à qual se diz : “Eu não quero passar por isto. Tenho de passar por isso? Isto, isso e aquilo está errado com os outros. Se não estivesse, eu não precisaria passar pelo que passo agora.” Essa atitude procura evitar a erupção necessária do abscesso, que consiste num emaranhado doloroso de energia negativa sempre crescente cuja força torna cada vez mais difícil alterar o curso. O ciclo negativo continuado e sua repetição vã e automática de que a consciência não é capaz de parar produzem a desesperança. A repetição e a desesperança podem parar somente através de sua atitude de não mais negar a mudança necessária.

Toda a experiência negativa, todo sofrimento, é resultado de uma idéia errada. Um aspecto importante deste trabalho é a articulação dessas idéias. E, entretanto, quantas vezes todos vocês ainda deixam de perceber isso por não manterem em mente esses fatos incontestáveis quando se defrontam com uma situação de infelicidade ?

A SUPERAÇÃO DAS CRISES

Quando você adota o hábito de primeiro questionar suas posições errôneas ocultas e suas reações destrutivas no momento em que algo indesejável se põe em seu caminho, e, além disso, se abre plenamente à verdade e à mudança, sua vida muda radicalmente. O sofrimento se tornará proporcionalmente menos frequente, e o bem-estar se firmará cada vez mais como um estado natural. O desenvolvimento pode então prosseguir num ritmo suave, sem trancos nem barrancos, a fim de quebrar as estruturas negativas na essência da alma.

Discutimos os aspectos negativos da autoperpetuação. Sem dúvida, porém, ela existe primeiramente no aspecto positivo. Consideremos o amor. Quanto mais você amar , mais dará origem a sentimentos de amor autênticos, sem empobrecer a você mesmo e aos outros. Você se dá conta de que, pelo fato de distribuir, não tira nada de ninguém. Pelo contrário, mais você e os outros receberão. Você descobrirá modos novos, maneiras mais profundas, variações inúmeras em dar amor e em recebê-lo, estando em sintonia com esse sentimento universal. A capacidade de sentir e de expressar amor desenvolver-se-á num movimento sempre crescente , autoperpetuador.

O mesmo acontece com qualquer outro sentimento e atitude construtivos. Quanto mais significativa, construtiva, plena e prazerosa for sua vida, mais ela criará esses atributos. É um processo sempre contínuo, infindável, de expansão e auto-expressão constantes. O princípio é exatamente o mesmo da autoperpetuação negativa. A única diferença é que o processo positivo é infinito.

Ao estabelecer contato com sua sabedoria, beleza e alegria inatas e permitir que se desenvolvam, elas se ampliarão por si mesmas. A autoperpetuação assume a direção quando essas energias são liberadas e quando seu acesso à consciência é permitido. A realização inicial desses poderes requer esforço, mas no momento em que o processo começa a fluir, ele dispensa o esforço. Quanto mais qualidades universais você criar, tanto mais haverá para criar.

Seus próprios potenciais para sentir a beleza, a alegria, o prazer, o amor, a sabedoria e a expressão criativa são infinitos. Novamente, as palavras foram ditas, ouvidas ou registradas. Mas até que ponto você sabe que isso é uma realidade? Até que ponto você acredita que seu potencial íntimo é gerador, é feliz e vive a vida infinita? Quanto você acredita nos seus recursos para resolver todos os seus problemas? Quanto você confia nas possibilidades que ainda não estão manifestas? Até que ponto você aceita como verdadeiro que novas perspectivas de você mesmo podem ser descobertas? Até que ponto você acredita realmente que pode cultivar qualidades de tranqüilidade combinada com excitação, de serenidade a par da aventura, através das quais a vida se torna uma corrente de experiências maravilhosas, embora as dificuldades iniciais ainda precisem ser superadas? Até que ponto você realmente acredita em tudo isso ?

Faça a você mesmo essa pergunta. Enquanto apenas afagar essa crença, você continuará desesperançado, deprimido, temeroso e ansioso, enredado em conflitos aparentemente insolúveis com você mesmo e com os outros. Este é um sinal de que ainda não acredita em seu próprio potencial de desenvolvimento infinito. Se não acredita nisso verdadeiramente, é porque existe algo em seu interior a que você se agarra desesperadamente. Você não quer expor esse algo porque não quer abandoná-lo nem mudar.

Isto se aplica a cada pessoa em particular, a cada indivíduo que está neste mundo. Pois, quem não tem “noites escuras” que deve suportar? Alguns têm muitas pequenas “noites escuras” que vão e que vêm, ou suas “noites escuras” são cinzentas. Podem não estar numa grande crise num dado momento, mas a vida é cinzenta e flutua relativamente pouco. Mas há também os que já prepararam seu caminho para sair desse estado cinzento. Não querem mais ficar satisfeitos com uma segurança relativa com respeito às crises. No fundo deles próprios, eles querem passar por uma convulsão temporária para chegar a um estado mais desejável e permanente. Desejam concretizar seu potencial de uma alegria e auto-expressão mais profundas. Então as “noites escuras” se tornarão mais circunscritas, vividas em meio a períodos flutuantes de convulsão e alegria, ou, em algumas vidas, agrupadas em episódios mais fortes. A escuridão total, a perda, a dor e a confusão se alternam com picos de luz dourada, levando a uma esperança justificada de um estado de felicidade final, ininterrupto.

A MENSAGEM DAS CRISES

Independentemente de como você vivencie as crises, sempre há nelas uma mensagem para a sua própria vida. Cabe a você não projetar suas experiências para fora, nos outros, o que é sempre a tentação mais perigosa. Ou ainda, projetá-las em você mesmo de um modo autodestrutivo, o que o leva a desviar-se da meta do mesmo modo que sucede, quando projeta suas experiências nos outros. A atitude do tipo “Sou mau, não sou nada” é sempre desonesta. Essa desonestidade precisa ser exposta para que a crise possa ter sentido, quer seja pequena ou grande.

Se você aprender a separar a menor sombra da sua vida diária e a explorar o seu sentido mais profundo, você controlará as pequenas crises de um modo que se tornará impossível a dilatação do abscesso. Assim, nenhuma erupção dolorosa é necessária para remover uma estrutura arruinada. Isso lhe revelará a realidade pura de que a vida universal não corrompida é uma felicidade dourada de beleza sempre crescente.

Toda pequena sombra é uma crise, pois ela poderia não estar aí. Ela só está aí porque você se desvia do núcleo central que cria a crise. Assim, separe as menores sombras da sua vida diária e pergunte-se sobre o seu significado. O que você não quer ver e o que não quer mudar? Se encarar isto, e realmente desejar encarar o núcleo principal e realizar a mudança necessária, a crise terá preenchido a sua função. Você descobrirá novas dimensões da questão básica que farão nascer o sol, e a noite escura passará a ser a educadora, a terapeuta que a vida sempre é quando você procura compreendê-la.

Sua capacidade de relacionar-se com a negatividade dos outros se desenvolve apenas na medida em que você consegue fazer o que explicamos neste artigo. Quantas vezes você percebe sentimentos negativos vindos de outras pessoas, mas não consegue lidar com eles por estar ansioso, inseguro e confuso a respeito da natureza do seu envolvimento e da sua interação com eles? Em outras ocasiões, você até pode não se dar conta da presença efetiva de hostilidade nos outros. A sutileza e a maneira indireta de agir deles o confundem, fazem com que se sinta culpado relativamente as suas reações instintivas, mas você é ainda menos capaz de lidar com a situação. Esta ocorrência freqüente é totalmente é totalmente devida à sua cegueira com relação a você mesmo e à sua resistência à mudança. Quando você projeta suas velhas experiências negativas nos outros, é-lhe impossível ter percepção adequada do que realmente acontece na outra pessoa e, portanto, você não consegue lidar com a situação. Você viverá uma nova e magnífica virada em sua vida à medida que desenvolver sua capacidade de observar honestamente o que perturba em seu interior e à medida que deseja mudar. Quase imperceptivelmente, como se nada tivesse a ver com seus esforços, um novo dom surge em você: você vê a negatividade nos outros de um modo que o deixa livre, que lhe permite confortá-los, que é eficaz. Essa negatividade não tem efeito adverso sobre você. Com o correr do tempo, ela deve ser benéfica também para os outros, sempre que quiserem que o seja.

Quando você resiste à mudança, o medo aumenta porque o seu ser mais íntimo sabe que a crise, a erupção e o colapso são inevitáveis e se aproximam num ritmo contínuo. Todavia, você resiste a adotar as medidas que poderiam evitar a crise. O que dizemos aqui é a história da vida humana. É aqui que a natureza humana é surpreendida. A lição deve então ser repetida até que o medo ilusório de mudança seja exposto como um erro. Se a crise pode ser compreendida do modo como a expomos aqui, e se você realmente medita para compreender sua própria crise e para se desprender daquilo a que se agarra, e encara as limitações que estabelece para a questão específica, a vida se abrirá quase que imediatamente.

Você deve também entender que a mudança não pode ser realizada apenas pelo ego. O eu volitivo e consciente, sozinho, é incapaz de fazer isso. Em grande parte, a dificuldade de mudar e a resistência à mudança devem-se ao fato de você ter esquecido que não pode concretizá-la sem a ajuda divina. Por isso, você vai de um extremo errôneo a outro. Num dos extremos você pensa que é você que deve realizar a transformação interior. Por saber em seu ser profundo que não consegue fazer isso, que simplesmente não dispõe do equipamento necessário para tal, você desiste. Você sente que não há esperança de mudar a você mesmo, e assim nem sequer tenta realmente, nem manifesta o desejo claramente formulado de agir desse modo.

Você está certo em acreditar que lhe falta a capacidade de mudar quando se considera exclusivamente como o ego consciente e volitivo. A resistência é em parte uma expressão da tentativa de evitar a frustração de querer algo que não pode ser realizado e que certamente desembocará na desilusão. Essa reação extrema acontece na camada mais profunda da psique humana. E o mesmo ocorre com o extremo oposto, em que você professa a crença num poder superior, ou Deus, que deve fazer tudo por você. Você se instala num estado de absoluta passividade, esperando a mudança. Novamente, o eu consciente não dirige seus esforços para onde deveria. Esperança falsa e resignação falsa são apenas dois lados da mesma moeda: passividade absoluta. Mas o dinâmico ego, tentando ir além da própria capacidade, inevitavelmente termina no mesmo estado passivo de esperar falsamente ou de falsamente desistir da esperança. A atividade exaure o eu e o torna passivo. Essas atitudes podem existir simultaneamente ou alternadamente.

Para realizar uma mudança positiva deve-se desejá-la; você deve querer estar na verdade e mudar. E deve orar à atuação divina mais profunda em sua alma para que torne a mudança possível. A partir disso, você espera que a mudança aconteça, de modo confiante, esperançoso e paciente. Este é o pré-requisito absoluto para a mudança. Quando nem sequer lhe ocorre assumir essa atitude de oração e diz, “Quero mudar, mas meu ego não consegue fazê-lo. Deus o fará por mim, Tornar-me-ei um canal disponível e receptivo para que isto aconteça”, você basicamente não tem o desejo de mudar e/ou tem dúvidas sobre a realidade de forças superiores dentro de você.

Essa confiança e paciência, essa convicção e esperança de que a ajuda virá se você tiver o desejo ardente de contemplar a verdade podem ser adquiridas. Não se trata de uma atitude infantil que quer que uma autoridade o faça por você. Bem ao contrário. Nessa atitude receptiva, desejando conhecer a verdade e mudar, você permite que Deus penetre na sua alma desde as profundezas de seu ser. Você se abre para que isso aconteça.

Quando essa atitude é adotada, a mudança se torna uma realidade viva para cada um e para todos. Quando há falta de confiança e fé de que o divino possa realizar-se através de você, é porque você não se deu a oportunidade de experimentar a realidade pura desses processos. Você negou a você mesmo essa experiência. E por nunca tê-la experimentado, como pode confiar nela?

Além disso, pelo fato de você ainda ter como reserva alguma portinhola de fuga, portinhola essa que o impede de participar da vida de modo pleno e receptivo, você não experimenta a maravilha da realidade do Espírito Universal em seu interior. Por não ser honesto com a vida, você não consegue acreditar realmente no poder da Inteligência Universal que está com você o tempo todo e que se põe a trabalhar no momento em que você lhe dá espaço. É imprescindível uma entrega total a ela, sem reservas. Essa entrega é o pré-requisito absoluto para que você descubra sua realidade em você. Mesmo não conhecendo o resultado, se o modo de agir de Deus será ou não agradável a você, a entrega deve ser feita. Faz parte do processo não conhecer a resposta neste momento.

Considerações de maneiras que impedem uma entrega total mantêm-no preso ao modo de vida antigo, distorcido e ilusório, ao mesmo tempo que deseja alcançar o modo novo, liberado e livre em que você é íntegro, completo, em vez de internamente dividido e atormentado pelo sofrimento dessa divisão. Mas essa duplicidade não é aceitável. Sua entrega ao Criador Supremo deve ser total, extensiva aos aspectos aparentemente mais insignificantes do ser e da vida diária. Você deve entregar-se totalmente à verdade, pois só assim estará entregue ao Espírito Universal.

Se esta for sua atitude, você deixará a antiga praia a que está acostumado e boiará momentaneamente no que parece ser uma incerteza. Mas você não se importará com isso. Você se sentirá mais seguro do que nunca, quando se fixava à antiga praia, à estrutura falsa que deve ser demolida. Você rapidamente saberá que não há nada a temer. Há necessidade de reunir coragem para agir assim, para enfim descobrir que este é de fato o modo mais seguro e garantido de viver. Na realidade não se requer nenhuma coragem. Então, e somente então, as “noites escuras” se transformarão em instrumentos de luz.

Amor, Luz , Paz , Gratidão e Namastê !
Love, Light, Peace, Gratitude and Namaste!
Amour, de Lumière, la Paix, Gratitude et Namaste!
Amor, Luz, Paz, Gratitud y Namaste!
الحب، والضوء، والسلام، والامتنان وناماستي!
愛、光、平和、感謝と​​ナマステ!
Amore, Luce, Pace, Gratitudine!





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